Bolsonaro pode perder 17 aliados para as eleições de 2022

Lista inclui ministros, secretários e integrantes de outros órgãos da administração federal

presidente jair bolsonaro durante lançamento do Programa Gigantes do Asfalto no palácio do PlanaltoIgo Estrela/ Metrópoles

Jair Bolsonaro poderá perder até o ano que vem ao menos 17 integrantes de seu governo e aliados para as eleições de 2022, incluindo ministros, secretários, um presidente de banco público e de outros órgãos da administração federal.

O afastamento se deve a uma regra eleitoral que determina que ocupantes do Executivo deixem cargos públicos até seis meses antes do pleito.

A lista, ainda não definitiva, vai desde candidatos tomados como certos a aspirantes políticos que se movimentam discretamente nos bastidores.

Entre os candidatos considerados prováveis estão os ministros que já contam com mandatos na Câmara dos Deputados. São eles: Tereza Cristina, Onyx Lorenzoni, Rogério Marinho, João Roma, Flávia Arruda e Fábio Faria.

Faria, por exemplo, prepara-se para trocar o PSD para o PP, partido próximo a Bolsonaro.

Dentro do Planalto, a avaliação é que seria natural que esses nomes tentem ao menos a reeleição, mas alguns poderiam mirar os governos estaduais, como Onyx Lorenzoni, que avalia concorrer ao governo do Rio Grande do Sul.

Do primeiro escalão do governo também poderão sair novatos eleitorais. Uma delas é Damares Alves, que já estabeleceu contato com integrantes do PSL e do PTB para sua possível estreia nas urnas.

Com grande apelo junto ao público evangélico, Damares miraria o voto conservador para uma vaga como deputada. Vez ou outra, é mencionada como cotada para a vice da chapa de Bolsonaro.

Para isso, Damares aposta no fortalecimento de sua imagem nas redes, onde exibe fotos ao lado de Michelle Bolsonaro e transmissões em que prepara bolos ao lado de uma confeiteira.

Fora do cargo de ministro desde março, mas aliado de Bolsonaro nos corredores do Itamaraty, Ernesto Araújo também é visto como aspirante a candidato e sua licença já é dada como certa no Ministério das Relações Exteriores.

Além da fama conquistada entre a ala mais fervorosa do bolsonarismo, Ernesto surfou na imagem do governo participando de eventos não relacionados à diplomacia estrangeira, como na viagem com Bolsonaro a Sergipe em janeiro, para a inauguração de uma ponte que liga o estado a Alagoas.

A seleção de possíveis candidatos também inclui nomes que não fizeram movimentações partidárias explícitas, mas cujas atitudes, posturas, agenda ou discursos apresentam tom eleitoreiro e dão margem para que se especule uma possível candidatura.

Nessa lista estão o ministro do Turismo, Gilson Machado, e o secretário da Cultura, Mário Frias.

Machado já foi presidente da Embratur e apareceu com frequência nas lives de Bolsonaro, além de se valer do selo de amigo da família presidencial para conquistar seguidores nas redes. Em uma das postagens, por exemplo, exibe, de bermuda, os peixes pescados ao lado de Flávio Bolsonaro.

Já Mário Frias, que chegou ao posto após ganhar fama como ator, cogita um cargo como deputado federal, mas ainda aguarda o rumo partidário de Bolsonaro para decidir sobre uma filiação.

Nas redes, propagandeia as ações de sua gestão acompanhadas de uma logo de seu nome com uma faixa verde e amarela, que alude à logo de campanha de Bolsonaro em 2018.

Já o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, adota um discurso bolsonarista e emotivo em lives presidenciais e aproveita da capilaridade da Caixa para percorrer o país, mesmo após afirmar desconhecer que há pessoas morando em lixões no Brasil.

Os militares e agentes de segurança que entraram para o governo também não ficam de fora da lista de cotados para as urnas.

Um dos nomes mais bombásticos seria o de Hamilton Mourão, que, após seguidos atritos com o presidente, pode tentar trocar o Palácio do Jaburu por uma vaga no Senado ou pelo governo do Rio Grande do Sul.

Braga Netto, ministro da Defesa, já foi ventilado para o governo do Rio, onde tem laços por conta da intervenção federal de 2017, e está entrando em agendas de campanha com Bolsonaro.

Há também o delegado da Polícia Federal Anderson Torres, atual ministro da Justiça, que pretende disputar um cargo público e quase se filiou ao PSL, após reuniões com Antonio Rueda, vice-presidente da sigla.

Torres também conversou com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, de quem havia sido secretário. Na ocasião, Ibaneis sinalizou apoio ao nome do ministro.

Neste momento, Torres conversa com outras legendas, mas tem admitido que pode desistir do plano de se candidatar caso Bolsonaro peça para que continue na Esplanada até o fim do governo.

Já o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, André Porciuncula, ex-policial militar, também estaria de olho numa vaga da Câmara Federal.

O ex-PM é defensor ativo de Bolsonaro na redes e o principal responsável pela Lei Rouanet. Foi ele quem assinou a portaria que determina a priorização da análise de projetos que não envolvam aglomerações, o que irritou produtores culturais.

Outro é Eduardo Aggio, ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal que foi nomeado para o comando da Subchefia de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais da Casa Civil.

Além de captar a agenda de segurança pública, Aggio usa as redes para mostrar fotos ao lado do presidente em cerimônias e outros compromissos oficiais.

O chefe da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, também adere ao discurso bolsonarista, é próximos aos filhos políticos de Bolsonaro, afasta-se da postura esperada do chefe da inteligência brasileira e até dá entrevista à imprensa.

Ramagem se aproximou da família presidencial após coordenar a segurança de Jair Bolsonaro em 2018. Foi a Abin comandada por Ramagem que elaborou relatórios entregues a Flávio Bolsonaro para orientar a defesa do senador no caso Queiroz.

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